Piquenique-pizzada

Nos últimos dias andava fissurada pela idéia de um piquenique, que a princípio aconteceria no Zoobotânico, iríamos eu e meu namorado de bicicleta, passearíamos por lá e depois teríamos uma daquelas cenas de cinema, protagonizada recentemente pelo popular Alemão em horário nobre (espero que isso não tenha influênciado meu subconsciente). O meu, é lógico, seria muito mais agradável, uma coisa íntima, verdadeira, genuína, sem câmeras e uma surpresa para ele pela comemoração de oito meses de namoro. Só que acabou não rolando. Trocamos o programa natureba, que eu particularmente adoro, por um churrasco dos amigos do meu pai, não que este último tenha sido assim, tão ruim.
Acabou que o tão esperado piquenique foi uma surpresa pra mim! Numa situação que me fez muito bem, dando um empurrãozinho para o "primeiro passo" que comentei ontem, aconteceu um piquenique-pizzada muito bom, lá no campo do colégio. Procurava eu os colegas de sala com quem combinei almoçar, pensando "Puta merda, vou ficar sem dinheiro pra comer", porque já tinha pago e estava vendo uma desorganização geral em torno da compra das pizzas. Esperava encontrar as pessoas, já com a comida e ir comer lá na cantina, como combinamos á princípio. Andava pelo colégio quando vi um bando de gente olhando pra mim, deitados sobre toalhas brancas estendidas no campo verdinho, um dos meus lugares preferidos, que me traz uma paz inenarrável. Saí em disparada, me joguei na toalha e sorri tão sincero como á tempo não fazia.
É realmente muito bom quando algo que pode nos deixar tão feliz, e nem estávamos esperando, acontece. Pouco importa que a pizza atrasou quase uma hora, comemos correndo e fomos correndo pra sala, passados 15 minutos do início da primeira aula, quando tínhamos prova. Ou importa! Importa mesmo. Acho que essas situações inesperadas, esses atrasos que atingem ao grupo inteiro, esse "chega ou não chega?" acarreta em uma coisa que eu esperava á muito tempo: união. Suprir minha necessidade do que eles usam muito para catalogar os adolescentes, aceitação no grupo, melhor dizendo, quando você não pensa se alguém está te aceitando ou não, você é simplesmente aquilo, independentementa do que acham.
E obedecendo minha natureza conclusiva e analizadora, além dos momentos ótimos rindo, conversando e escutando uma musiquinha, identifiquei algumas coisas que estavam sendo comentadas a tempo com namorado, um ou dois amigos e até com a Giovanna, a paulista dona de um blog superlegal com quem troquei recadinhos ontem. Todos eles que souberam da minha fossa dos últimos dias.
- Colegas podem não ser os amigos que sabem teu número de cor, freqüentam tua casa, conhecem tuas manias, te abraçam e dizem "Eu te amo", mas são potencias amigos como estes, e te fazem sentir-se bem á beça!
- Nem tudo precisa ser planejado e analizado, muitas vezes a grande vitória é sentir o momento;
- Pessoas distantes, que julgamos fúteis e falsas a partir das aparências, tem uma grande chance de serem mesmo, mas tem a mesmíssima chance de te surpreenderem, ou, no mínimo, serem uma boa companhia;
Recomendo, piquenique á todos!

Upgrade urgentíssimo!

Eu preciso berrar bem alto e preciso que alguém escute! Um novo amigo que haja com reciprocidade. A falta de pessoas, de companheiros, faz sentir-me chata, desinteressante. Me coloca na minha própria companhia e eu não me basto.
Tenho agora um novo objetivo: sentar no meu canto, lavar a alma e bola pra frente! Parafrasenado a sabedoria popular "o primeiro passo é o mais difícil", preciso dá-lo, urgentemente! Vou me mapear, só assim acho o caminho que me desvirtua, sempre me impedindo de me coçar, seguir o certo diante de meus olhos e banir as lamúrias. Destruo ele e paro com essa enrrolação de uma vez.
Ao invés dos alquimistas, a procura do Elixir da Longa Vida, sinto-me obrigada a achar de pressa a fórmula para manter meu bom humor, meu coração limpo e a que pra mim é a melhor e maior habilidade: saber ver no simples a maior alegria em viver!

Lista de objetivos/desejos para abril

1- Arranjar um livro para ler e lê-lo
2- Fazer novos amigos
3- Diminuir minha TPM para só antes da menstruação
4- Não me sentir tão só e triste
5- Parar de comer chocolate
6- Parar de comer compulsivamente
7- Ser uma namorada calma e compreensiva
8- Pensar mais antes de falar
9- Ter objetivos melhores antes de começar uma lista

Muito blá blá blá...

Num trabalho de geografia que estou fazendo, sobre Estados Nacionais, o qual pretendo publicar já em vídeo aqui em maio ou junho, ponho todas minhas expectativas, idéias e sonhos para um mundo melhor, onde as pessoas vivam com igualdade, justiça e dignidade. Para abrigar meu "país perfeito" escolhi junto com meu grupo a região de fronteira da Etiópia, Djibuti e Somália, e obtive do meu professor uma informação que me causou espanto: nesses anos em que ele passou o trabalho, nenhuma equipe tinha escolhido uma região pobre para seu país. Quer dizer, apesar de todos os discursos de amor ao próximo, de consciência social, e toda essa "baboseira" como diria meu pai, falta ação.
Quanto mais se fala de responsabilidade, mais irresponsáveis somos. Independentemente de estarmos falando de ecologia, sociologia ou ética. Quando perguntamos como alguém pôs uma placa de "Proibido pisar na grama" no meio de um terreno gramado extenso, poderíamos responder: do mesmo jeito que educamos nossas crianças para falarem a verdade e mentimos pra elas, que queremos justiça e preocupação do governo para com a gente, mas esquecemos de cobrá-las para aqueles que precisam de muito mais que um aumento para desafogar o orçamento, aqueles que nem sabem o que é ter um orçamento.

Saudades

Lamento muito que tenhamos essa palavra no nosso vocabulário. Se ela não existisse, pensaria nela com menor freqüencia. Quem sabe os poetas e músicos não a citariam, nem as pessoas a pronunciariam em vão. Talvez o dia que à riscássemos do dicionário, riscaríamos também de nossos corações.
Apesar dos anos que passam nos ensinando que todas as coisas acabam, que tudo que é bom (e ruim também, por que não?) dura pouco, ainda sinto saudades. E saudade machuca. Ainda mais quando é acompanhada por culpa, por necessidade, por sentimentos mal resolvidos. Muito mais quando sabemos que tudo que fizermos não será o suficiente para termos uma sensação, um momento, uma pessoa de volta.
Pedaços da nossa história, quando acontecem, parecem bastar para serem especiais, para sempre nos causar alegria. Mas daí vem a saudade e estraga tudo. Momentos maravilhosos pedem por sentimentos saudosistas, o que antes nos faria abrir um sorriso, impulsiona um rio de lágrimas.
Como todas as coisas, ela é necessaria. As vezes nos sentimos até meio culpados se não a sentimos. Quantos amigos foram antes tão presentes, e hoje, que não estão mais perto, demoram meses, até anos para serem lembrados. Pessoas muito queridas que foram levadas para longe pela morte, como conseguimos passar um dia sem lembrar delas?
Diante da impossibilidade de voltarmos no tempo, melhor seria não lamentarmos. Não pedirmos, nem mesmo desejarmos bis. Espero um dia poder dizer que espero o amanhã, não o ontem. Enquanto isso, remexo no meu armarinho de lembranças, o mais confortante e doloroso dos armarinhos.

Primeira Impressão

A crueldade é seu ponto forte
São imprevisíveis, invejosos, mentirosos
Outros desejam até sua morte

Nelas não se pode confiar,
não vê-se maior ambição
pentear, comprar, maquiar
sua fútil distração

Cochicham e são maus,
cochicham e são discretos.
Brigam e estão sendo cruéis,
brigam e estão preocupando-se.

Eis a essência da primeira impressão:
Ao longe são maquiavélicos,
De perto têm seu valor!

Enrredados!

Hoje, na minha mais monótona aula do curso, empreendedorismo, parei para pensar o quão enlouquecedoramente preso a gente está. Falávamos de organizações, o que fazemos á umas três aulas (deve-se á repetição essas aulas serem tão chatas) e pela quinquagésima vez o professor nos dizia que em todos os lugares que vamos e tudo que fazemos está ligado á organizações. Parece que desta vez surtiu efeito: eu estava completamente absorta!
Realmente o professor tinha razão. Nesse momento por exemplo, as nove e dessesete, grande parte dos brasileiros assistem novela, produzida pela organização Rede Globo, transmitida por outra, num aparelho que provavelmente teve cada pecinha produzida por diferente organizações, que chegou a casa da nossa organização família porque fomos a organização loja comprá-la. Mas para quê algo tão sofisticado como uma novela? Podíamos ser mais simples e estarmos jantando ou dormindo. Tendo assim uma organização que produziu alimentos, ou molas. Até para quem não tem televisão em casa, atividades como o sexo por exemplo, acontece na organização motel ou outras mais excusas, mas nem precisa disso. Se for em casa mesmo, depende da organização que fez a camisinha, da organização que motivou o encontro dessas duas pessoas, de organizações, organizações.
E quando falamos de organização lembramos de quê? Pessoas. Apesar de muitas buscarem hoje individualismos, se "despreender do sistema" ou qualquer coisa do gênero, só é possível alguém estar só, não depender de ninguém, não se relacionar com outros, se for para dentro de uma mata fechada (o que é cada vez mais raro ultimamente) e aprender a se virar lá dentro, e olhe lá!
Quase que ironicamente, quanto mais reclamamos de que estamos nos distanciando das pessoas, mais dependemos delas. Num sentido enorme de comunidade, estamos interligados com gente que nem sequer sabemos da existência. Talvez a peça mal colocada na tevê, causadora da má imagem JUSTAMENTE na hora da sua novela, tenha passado despercebida pela montadora que estava na TPM. Aquela porcaria de pecinha!

Vagabundear

Como diria Leila Pinheio hoje é "Dia de vadiar, vagabundear. De tudo adiar, se deliciar". E quando a gente pode vagabundear é incrível como nunca sobra tempo para fazer as coisas que, em dias lotados, se resolvem em dois toques. Tardes e dias de folga para mim não têm rendido se me refiro a coisas práticas, obrigações, nada que uma boa última hora no domingo não resolva. Em compensação, as coisas ganharam espaço para se resolverem, e obedecendo a poeta, me deliciei.
No maior estilo "Ladeira da saudade", passeei de mãos dadas pelas tranqüilas ruazinhas de Corupá, corri na grama, brinquei com a minha irmã, bati fotos, revi a família. Como é fácil esquecer que são nessas pequenas coisas que esconde-se a felicidade e principalmente o equilíbrio tão procurado nesses últimos dias. Posso dizer em alto e bom som: Estou feliz qual tenho o direito e dever ser!


Uma lição para Paula

Paula tinha muitos sonhos. Escrever um livro, ter um labrador e o seu lugar de destaque no trabalho, aprender a ela mesma fazer todos os presentes que quizesse dar para as pessoas queridas, ter uma viagem que marcasse a sua vida, casar com o seu namorado... Mas os seus dois maiores sonhos eram, sem dúvida, morar sozinha e ter a sua própria família, uma família de verdade. O segundo maior que o primeiro.
Todo mundo vê na sua família "de casa" muitos defeitos, e são defeitos que não se pode mudar quando existe uma hierarquia familiar que impede os filhos de ter voz ativa. Na casa de Paula sempre foi assim. Ela era mil e uma utilidades, servia para lavar a louça que ninguém queria lavar, educar a irmã, apesar de seus pais nunca reconhecerem qualquer autoridade nela, agüentar todas as barras, os problemas, as crises de todo mundo. Mas ela de forma alguma podia manifestar opinião sobre as coisas, que na sua opinião eram absurdas. Seus pais sabiam de tudo, e ela, coitada, não sabia de nada. Não sabia de nada, e dependia do humor deles para tudo que quizesse fazer. Era variável. Quando sua mãe estava na fossa, ou ela deixava a filha sair, ou ela não deixava. Quando estava feliz, era a mesma inconstância.
Mas nem tudo era cinza na vida de Paula. A garota era de classe média quase alta, primogênita (grande parte de suas reclamações só existiam porque, quando pequena, ela fora muito mimada, e ouvir um não sempre foi um suplício para ela) e tinha a capacidade de sempre dar um jeitinho de escapar das limitações que na sua opinião, eram limitadas demais. Um desses "jeitinhos" que mais funcionava, era deixar a imaginação correr solta, sonhar e planejar tudo que ela poderia mudar de alguma forma quando as coisas estivessem nas suas mãos. Por isso o sonho de constituir a sua própria família.
Ela morria de medo de repetir os erros que ela via acontecer, por isso veio ouvir algumas vezes que era "implicante" demais, ela culpava o signo - virginiana perfeccionista. E repetiu, muitas vezes. Apesar de nunca poluir as ruas como o pai, de fazer mágica com o dinheiro de suas primeiras mesadas e de ouvir a irmã que ela tinha como um protótipo de filha com a paciência que nunca dantes tiveram com ela, ela repetia muitos erros. Era nervosa, estressada, emotiva, e cada vez que tinha dos seus rompantes chorava e prometia para si mesma que iria mudar isso. Até hoje ela ainda não mudou tudo, por completo. Mas ela ainda é jovem, muito jovem, e coitada, não sabe de nada. Nem imagina que tudo vai passar e ela vai descobrir que os pais, apesar de todos os pesares, lhe davam uma das mais importantes lições: eles, essas pessoas que a magoam tanto, que são tão diferentes do que ela considera ideal, são as únicas pessoas que com toda certeza para o resto da vida ela vai amar.

A última e a primeira gota

Será que só pra mim chorar é fundamental? Sinceramente, não consigo ser feliz sem derramar algumas lágrimas, dar umas soluçadas. Por mais ridículo que isso pareça ser. Problemas acho que temos sempre, por isso preciso sempre chorar. Quando não choro, é insuportável mesmo quando a questão já está resolvida. As vezes mesmo que tenha sido mantida calma e a serenidade, as energias ruins que aquilo deixou, a tensão, a mágoa, a incerteza, tudo acumula de um jeito que só mesmo dando uma lavada na alma. De preferência à baldes bem cheios.

Estou trocando de carreira!

É o que pensei vendo o quão fundamentais são para toda uma ordem nas vias aéreas os controladores de vôo. Eles ganham bem e são superprocurados. Porque não largar o curso de plásticos e me formar uma controladora de vôo? É interessante como uma profissão antes quase desconhecida, é hoje tão comentada. Isso devido ao grande sencioना lismo da imprensa, sem sombra dúvidas.
Chega a chocar que, em horário nobre, o "caos" nos aeroportos seja tratado com maior gravidade que pessoas estarem passando fome, injustiça e encarando preconceitos. Pessoas matando, pessoas morrendo. Umas com uma carência tão grande de sentimentos e condutas boas, outras necessitando tanto encontrar alguém com essas características para aquecer nem que seja de chama de fósforo seu coração.
Mas se falassem de todos esses assuntos os chamando de caos, o que não deixam de ser, também estariam sendo sensacionalistas. Talvez. Começo entender essa idéia de uma imprensa sencionalista à pouco, e não por completo. Hoje minha idéia é ainda um meio termo. Chamar de caos (talvez seja mesmo para as pessoas que o estão vivendo, mas não maior do que o das pessoas que nunca nem chegaram a sonhar em voar) é como todo exagero, ruim. Contudo, num mundo tão cheio de sensações, de notícias extremamente condenáveis, extremamente aplausíveis, o sensacionalismo é só uma forma de contar as coisas. Cabe as pessoas não se deixarem dominar por esses exageros, e captar somente as informações, sem as impressões das pessoas que as passam.
E quanto a greve dos controladores, que têm todo o direito de lutar pelos seus direitos, quem sabe não pudesse ser substituída por outra atitude? Greve em serviços públicos geram problemas a muito mais pessoas do que no seu chefe, quem paga seu salário ou decide seus horários. Gera problemas para pessoas que dependem de serviços pagos quer com pouquíssimo ou muito esforço. Particularmente vou continuar com os plásticos, obrigada! Espero que essa bagunça toda no vôo passe logo, afinal, outro assunto superimportande tem que ser tratado um Jornal Nacional inteiro, senão a gente cansa.

O que tém lá em cima?

Religião vem sido, desde uns dois anos, muito conturbada dentro de mim. Nada aconteceu que tenha me feito deixar de crer em Deus, coisa assim. A doença sofrida e morte do meu avô, ou qualquer fatalidade de que eu tenha ouvido falar de forma alguma afetaria minha fé, acredito. Um Pai não tiraria os males do mundo, isso impediria seus filhos de crescer. Minha mudança de postura em relação á Igreja, ao catolicismo e até mesmo a existência de um Ser superior tem um histórico processual. Culpa dos professores de história, que contaram horrores do catolicismo, carregados de inquisição e missões jesuíticas. Não menos culpados foram os livros que li, em especial Código da Vinci, que me despertou uma revolta bastante grande. Mas não, educação e cultura não geram descrença. As posturas tomadas pela Igreja Católica são indiscutivelmente condenáveis e por isso tínhamos mesmo que esperar.
Qual instituição, formada e mantida por homens, nunca foi abominável? Ainda mais caminhando de século em século pelos pés de seres humanos, munidos de ambição, orgulho, prepotência e ignorância. Toda repulsa que poderia se ter, deve ser bastante analisada. Você odeia sua família por causa de um tio chato? Eu não, mas as reuniões em que ele está são torturosas. Quando as pessoas ganharam liberdade para escolher se iam ou não ao encontro com esse milhares de "tios chatos" que falavam em nome de Deus, muitas optaram por não ir, outras persistiram em manter a tradição.
A tradição é outra que sufoca. Talvez em razão da minha juventude, contestetadora, revolucionária, fazer algo sem um motivo claro é maçante. Sentir as pessoas te olhando enquanto todo mundo reza, comunga, bate palma, senta e levanta, porque você não está a fim de fazer não condiz com minha idéia de um Senhor Supremo que pretende o Bem à cima de tudo. Não é um conjuto de palavras decoradas, um canto, um mero costume que vai mudar o seu caráter bom e sua postura admirável. Muitas pessoas que eu conheço sabem cantar "Yesterday" perfeitamente, mas não sabem que ela é dos Beatles, porque nunca ouviram falar que salgadinhos compunham músicas. É mais ou menos assim que defino muitos dos religiosos fervorosos que conheço. Podem explicar a Bíblia de trás pra frente, até saber o que significa cada coisa, mas não aplicam em nada no seu dia-a-dia, então, do que adianta?
Apesar de todas as firulas, detalhes e cores que podem fazer parte do meu modo de agir, acredito nas coisas práticas. Uma instituição espiritual tem que fazer o bem imediato para a pessoa mais próxima, não pode perder tempo com rituais mecânicos enquanto existe tanta carência de uma conversa franca, profunda, construtora de uma sociedade que ao invés de tantos preconceitos, paradigmas e vícios (pregados muitas vezes por essas instituições) fosse mais amor, mais leveza de espírito.
E quanto á existência de Deus, o que dizer? "A prova viva de que Deus existe somos nós, feitos de pele e osso", "Precisamos de algo no que acreditar", "Como pode alguém acreditar que Deus não existe?", "No que vamos acreditar quando estiver tudo dando errado e precisarmos que algo nos guie?". É evidente a necessidade do homem de saber de onde ele veio, para onde ele vai e quem vai ajudá-lo entre um e outro, isso explicaria toda existência de Deus para o homem. Mas não deixamos de ter a dúvida: Não será muita prepotência achar que ao contrário de Deus ser nosso Criador, nós sermos os criadores dele?
Essa é uma dúvida que ninguém pôde me saciar com argumentos fortes e inquestionáveis, talvez eu morra sem que alguém o tenha feito. Ainda bem que não estou sozinha, apesar de ser muito fácil crer absolutamente num Deus, numa religião, muitos me acompanham nessa profunda indecisão. A única coisa inquestionável é o poder e a busca de milhares de pessoas pelo Bem. Esse sim, com letra maiúscula, todos podem sentir e viver, o Bem inigualável de ver uma grávida, crianças, velhinhas, negros e brancos, todos juntos num ambiente que por meio de caminhos mais tortos ou mais retos estão lá com um só objetivo: o Bem Maior!

Korkolokou perdida no mapa

Korkoulokou não tem nenhuma imagem no Google, e nenhuma citação em português, isso é possível? Acho que não vou ter nem que fazer força para não saber nada. Realmente, não existe informação!

Mulheres juntas só pode dar...

Ontem fui para um sítio em Mafra, num daqueles encontros só para mulheres. E antes que pensem ao contrário, foi comportadíssimo! Tias, mãe, prima, mulher e filhas do meu pai reunidas, só se enquadrou numa típica reunião feminina pelo indispensável: falar dos homens. De mal á bem, todas que usam saias sabem o que estava no meio. Mas como mulheres bem resolvidas, não ficamos só nisso. Falamos de viagem, filhos, receitas e arte!
Minha prima Gláucia me deixou num turbilhão de inspiração. Aprendi como se faz decoupage, vi as bijuterias dela e um bolo decorado. Bateu aquela vontade de aprender mais, de ir numa lojinha de artesanato e comprar um monte de coisa, de imaginar casa, roupa de filho, e futuro todo cheio de inesperados que tanto me fascina e prende meus pensamentos. Gosto muito de artesanato! Parte porque sou viciada em coisas bonitas, românticas, coloridas e diferentes, mas principalmente por achar que quando fazemos alguma coisa que envolva arte nos desprendemos de nós e viemos a ser nossa obra. Esquecemos problemas e viramos o que nossas mãos podem fazer. Elas podem fazer tanto!
As mãos de todas as mulheres que passaram o dia ontem comigo fizeram muito. Ensinaram, cozinharam, escreveram, pintaram, dirigiram, bateram, bordaram, acariciaram. E por mais que tenham feito, não fizeram tudo. Elas sonham em passear por outras texturas, sentir outras palpitações, realizar movimentos diferentes, só não querem congelar.