Lamento muito que tenhamos essa palavra no nosso vocabulário. Se ela não existisse, pensaria nela com menor freqüencia. Quem sabe os poetas e músicos não a citariam, nem as pessoas a pronunciariam em vão. Talvez o dia que à riscássemos do dicionário, riscaríamos também de nossos corações.
Apesar dos anos que passam nos ensinando que todas as coisas acabam, que tudo que é bom (e ruim também, por que não?) dura pouco, ainda sinto saudades. E saudade machuca. Ainda mais quando é acompanhada por culpa, por necessidade, por sentimentos mal resolvidos. Muito mais quando sabemos que tudo que fizermos não será o suficiente para termos uma sensação, um momento, uma pessoa de volta.
Pedaços da nossa história, quando acontecem, parecem bastar para serem especiais, para sempre nos causar alegria. Mas daí vem a saudade e estraga tudo. Momentos maravilhosos pedem por sentimentos saudosistas, o que antes nos faria abrir um sorriso, impulsiona um rio de lágrimas.
Como todas as coisas, ela é necessaria. As vezes nos sentimos até meio culpados se não a sentimos. Quantos amigos foram antes tão presentes, e hoje, que não estão mais perto, demoram meses, até anos para serem lembrados. Pessoas muito queridas que foram levadas para longe pela morte, como conseguimos passar um dia sem lembrar delas?
Diante da impossibilidade de voltarmos no tempo, melhor seria não lamentarmos. Não pedirmos, nem mesmo desejarmos bis. Espero um dia poder dizer que espero o amanhã, não o ontem. Enquanto isso, remexo no meu armarinho de lembranças, o mais confortante e doloroso dos armarinhos.
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