Os verdadeiros senhores das armas

Poderíamos citar vários exemplos de filmes protagonizados por ladrões especializados e gângsteres, como Onze Homens e um Segredo, entre muitos outros. Um desses filmes hollywoodianos que parecem serem bem aceitos por todo mundo, O Senhor das Armas, tem como protagonista Nicolas Cage, que vive Yuri, um contrabandista internacional de armamentos diversos.
Não é preciso nem dizer que o filme é baseado em fatos reais. Os milhares de conflitos mundiais vigentes no minuto em que você lê esse texto, de alguma forma, precisam ser abastecidos de instrumentos que imponham o burro poder da força, que não respeita civis, crianças ou inocentes. E embora essa matança desenfreada seja um negócio muito lucrativo para países ricos como EUA, Reino Unido, França, Rússia e China (membros pertencentes a ONU), o comércio é feito por debaixo dos panos.
Assistir crianças matando e sendo mortas, tribos serem dizimadas, seres humanos perdendo a vida por caprichos tolos de uma meia dúzia de “Reis da prepotência”, pode deixar o espectador revoltado com o senhor das armas, sua fortuna e sua impunidade. Completamente compreensível, nenhum pouco questionável. No entanto, mesmo que não nos deparemos diariamente com essas batalhas, pouquíssimo divulgadas pela mídia, é importante analisar quem realmente propicia isso. O homem que repassa as armas e faz com que elas cheguem às mãos de meninos-soldados e chefes de estados ensandecidos? Sem dúvidas. Mas e os países produtores dessas armas, que lucram anualmente muito dinheiro com a venda delas para o mercado negro? Não contaram a eles que existem bilhões de dólares cobertos de sangue em suas contas?

Motorista, pára!

Muita gente não gosta de andar de ônibus, eu adoro! Algumas por frescura, já que "pegar condução" as iguala a todas as pessoas pobres que não tem dinheiro nem pra comprar um casaquinho nesse frio, muito menos um carro mantenedor de status. Outras pessoas, conheço um amigo que é assim, não gosta por outros motivos, por se sentir limitado, sufocado. Aí ele anda de bicicleta, e eu confesso, também ia preferir. Sou louca por bicicleta, pela liberdade que ela representa. Eu idealizo bicicletas, mesmo que ande, basicamente, uma vez por ano com a da minha mãe, emprestada. Minha primeira aquisição passa longe de um carro, será uma bicicleta! É uma pena que vivamos num país onde esse meio de transporte é tão pouco valorizado. Seria tão bom que houvessem bicicletas nas ruas pra alugar, como na Europa, e que algumas pessoas fossem assim pro trabalho, diminuindo a emissão de poluentes e o trânsito, o stress, que mesmo em Joinville encomoda.
Mas o assunto é: andar de ônibus têm lá suas vantagens. A gente vê gente diferente, escuta conversas malucas, cede o lugar pra uma pessoa e o olho dela brilha, encontra sempre bastante crianças. É como toda coisa da vida, tem um lado ótimo, mas tem seus momentos péssimos. Onde eu moro bastante gente anda de ônibus, inclusive estudantes de escola particulares como eu. Uns em particular me fazem sentir um pouco de vergonha de vestir o mesmo uniforme. De fazer parte do mesmo grupo de pessoas que diz que o mendigo pedindo ajuda no ônibus fede, que tal tênis ou programa é coisa de pobre. Sinceramente, eu não sei se mendigar seja a coisa mais certa a fazer quando se está abaixo da linha da pobreza, mas impressiona que pessoas cuja luta pra realizar seus sonhos é tão nula quanto a de um mendigo enxam a boca pra dizer "vai trabalhar", se queixam, esperam "esmolas" sentimentais, se consolam acreditando que o sol mesmo, só brilha pra poucos.
Estamos todos no mesmo barco, amigo. Se você fala mal de uma pessoa porque ela "fede" ou ri dela por não ter um tênis caro, quem sabe algum dia alguém ria de você, sua arrogância e inferioridade. Já que (novidade!), ainda existem pessoas que ficam felizes com um elogio aos seus textos, em ver um passarinho lindo parado na calçada, andar de bicicleta ou ver o sorrisso de alguém que pede ajuda num ônibus. Muitas pessoas não gostam de gente, eu adoro!

Jantar íntimo

Às vezes aquele papo, quase um clichê, de cuidar de si mesmo passa tão despercebido, e de repente, sem qualquer intenção a gente pára, faz uma arrumaçãozinha e começa a se deixar fazer aquelas coisas pequeninhas, bobinhas, que juntas constroem o sol nas nossas janelas. Tudo automático, sem manual auto-ajuda ou listinha de objetivos.
Pode começar numa tarde romântica, um monólogo na língua do i que só você e um baixinho (no meu caso, uma baixinha) entendem ou o fim de uma discussão materna horrível com um pedido de desculpa em forma da sua revista favorita. O caso é que da revista você faz um dia de leitura gostosa, do monólogo horas de risada e da tarde romântica, ah, já se basta. Daí tudo é paixão, riso, imaginação.
E quando as coisas começam a caminhar legal, os pés andam sozinhos pelo caminho deliciosamente corriqueiro, enquanto planejo um jantar gostoso em companhia de mais umas horinhas de leitura, poesia e cuidados extras comigo. Nem sempre o salão é o lugar mais certo pra levantar a auto-estima, além de mais barato e prático, preparar um jantarzinho simples e saudável pra curtir sozinha tem um poder incrível para voltarmos às nuvens em ser o que somos. E fica pra semana que vem o domingo cultural, quando a música é que vai cuidar de mim.

Sensacionalismo até nas ruas

Ando muito descrente, já há um bom tempo, e isso me preocupava um pouco. Mas com o tempo percebi que eu não estava descrente em tudo, afinal. Religião e política fazem parte de uma parcela pequeníssima das coisas que podemos acreditar. Ainda me sobraram de crenças o amor e a bondade de algumas poucas pessoas, a consciência socioambiental de outras, que se pode perceber ao ler Vida Simples ou, mais perto, a matéria do AN desse domingo sobre sacolas de tecido, entre tantas outras coisas em que eu acredito e que considero de extrema importância.
Sem contar que no que eu não acredito, não fecho a janela e me deixo surpreender. Se Deus existe e se algum político presta, não me impeço de acreditar. E o melhor é que não preciso decepcionar ninguém. Político não espera por credibilidade de ninguém e tudo o que as religiões dizem, salvo auto-violência e "assassinato religioso", sigo melhor que muito fiel por aí.
Então, vamos ao assunto em que quero chegar. Desde que me conheço por gente minha família é petista. Quando a gente é criança e resultado eleitoral é que nem final do Brasil na copa, eu torcia de forma ferrenha pelos candidatos com estrelinha vermelha no peito. Mas depois fui crescendo e virando mais cética e achei sensato que como não acredito, não devo opinar. No fim isso tudo acaba parecendo muito com time de futebol: cada um defende o seu, por maior que seja sua falta de razão.
Só que de vez em quando, mesmo quem opta por não opinar, opina. Porque uma das coisas que faz com que eu considere minha cidade que eu realmente gosto, como interior, como uma cidade pouco evoluída, é quando eu vejo outdoors na rua condenando um deputado federal por apoiar a legislação do aborto. Não vi muitos protestos em relação à isso, mas precisava escrever, nem que seja aqui, onde ninguém da cidade vai ler, pra manifestar minha revolta.
A prova de que a religião e a política, juntas, às vezes fazem um péssimo trabalho, são frases dizendo que quem é a favor do aborto não pode cuidar de você. Em um blog, esses dias achei uma definição com a qual minha opinião bate incontestavelmente: "... ninguém é “a favor do aborto”. Quem já conheceu uma mulher que passou pela cirurgia (e quem não conhece?) sabe que ela sempre representa um momento difícil, duro, de escolha penosa. Reduzir o número de abortos realizados no país é do interesse de todos. É uma pena que os que defendem a manutenção da criminalização do aborto não se mostrem muito preocupados em formular políticas para reduzir os 1,1 milhão de abortos realizados anualmente no Brasil, preferindo a via fácil do discurso moral e da pregação da abstinência que, já está provado, não funciona." (Cássio, O Biscoito Fino e a Massa).
O aborto é um daqueles assuntos longos, demorados e cheio de questões para debater. É óbvio que a orientação sexual, prevenção a gravidez indesejada, etc, são fundamentais e o aborto não deveria se tornar um ato anticontraceptivo corriqueiro, mas já que muitas mulheres, inclusive eu, consideram o direito de escolha SÓ delas, porque não deixar que a população debata isso seriamente, com as questões reais, que já são muitas? Se a gente quisesse sensacionalismo, ligaríamos a TV.

Enquanto o neologismo não vem...

Eu queria que todos os carros fossem pra sempre como são nas concessionárias. Que bom seria, na verdade, nunca precisar de um carro. Sentir o vento na cara, a sensação de liberdade, a música preferida no talo, andando de bicicleta num campo verde, não com mil, mas dois, um, nenhum no lado, correndo rápido para o encontro com um chefe grandão, amarelado, quente, mas não tão enfervescente que derreta a Antártica.
Queria que os livros não tivessem última página e que as histórias nunca ficassem chatas por espicharem. Antes de "plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho" seria legal ler todas as histórias do mundo, pelo menos as mais bonitinhas.
Eu queria que a morte fosse menos superável. Queria ficar mais na fossa, prender a história das pessoas que morreram em balõezinhos e deixar eles por aí, flutuando no meu dia-a-dia. Imagina que legal se todos os cheiros me lembrassem meu avô? Todos menos o do cigarro que insiste marcar a morte de um dos caras mais cheios de vida que conheci.
Queria ter tempo pra todos meus projetos e que os dias tivessem 240 horas, nem que a gente tivesse que viver só até os 50. É tão chato não conseguir mergulhar e ficar lá, explorando todo o mar de cada coisa.
Eu queria que em toda esquina tivesse um "bosque das crianças" pra gente ir quando o calo apertar (todos nós já fomos calmante natural e não nos damos conta disso) e que minha mãe me deixasse ir lá sem avisar. Lá e em todos os lugares, sem avisar, sem pedir, sem nada. Eu queria entender ela, não deixar nada sobressair ao amor que eu sinto e queria saber dizer "te amo" sem ter medo, pras pessoas que ouvem pouco isso de mim. Melhor seria ainda se meu corpo soubesse falar nítidamente as coisas que se passam no coração.
Eu queria que declaração de amor fosse tão seguro como seguro de vida. Queria uma listinha de todos que assinaram o contrato seguida dos seus números atualizados de telefone, e de vez enquando ligar e abrir um baú engraçado, descontraído ou profundo, que principalmente dê orgulho de abrir e descobrir que com uma repaginada aqui, outra acolá, continua o mesmo repleto de histórias.
Queria achar todas as pessoas interessantes, por mais alienadas, tolas ou fúteis que elas pareçam ser. Descubro, de tempos em tempos, que a gente se engana com as pessoas e que muitas que não imaginávamos tem algo interessantíssimo pra dizer.
Eu queria me achar menos perfeita do que eu me acho. Queria entender que os defeitos existem em mim, e não vê-los é o mais grave deles. É difícil, dificílimo, reconhecer que você não é tão boazinha, sincera, madura e organizada como pensa ser. Você tem umas feiúras também e isso é a coisa mais normal do mundo.
Um novo verbo precisa ser inventado, afinal de querer casa do campo e não querer dinheiro já estamos meio cansados, mas enquanto um neologismo não chega, eu queria, ah, como queria.

Espetáculo inesquecível!

A moda é inconstante, a cotação do dólar também. É tudo um zig-zag, uma metamorfose, uma loucura! Uma coisa imutável: desejar a liberdade. Todos são claustrofóbicos e sonham respirar.
Dizem por aí que ditadura, adolescência, instrução e opressão são eficientes tratadores para os animais deste circo chamado liberdade.
Pobre circo. Chegaram a considerá-lo uma lenda, "utópico" foi a palavra que usaram. Existem teses de que o que é circo pra uns, é boteco para outros. "Liberdade" é relativo, facultativo.
Mas os que realmente assistiram aos espetáculos atestam: os números mudam muito. Até outro dia o de sexo nunca antecedia os arriscados enlaces matrimoniais (que andam caindo em desuso). Mulheres equilibristas saindo de jaulas-casas até as jaulas-trabalhos então, é uma inovação que o público demorou para aprovar.
Público importante esse! Afinal, o espetáculo se molda a seus desejos e atitudes, nunca foge do seu cotidiano, até porque partilhar ou não do espetáculo é um direito conquistado por todos, todo tempo.

Doce ilusão!

Platão estava certo! Vivemos mesmo dentro de cavernas, entra ano e sai ano e a única mudança nelas é que hoje temos alguns "designers de interiores" que dão uma repaginada.

Como um anjo...

Uma das coisas mais nobres que alguém pode fazer na vida é torná-la útil para manter a de outro alguém. É inestimável então quando essa pessoa pode salvar não só uma, mas muitas vidas. Podíamos dicorrer durante horas intermináveis sobre os diversos aspectos dessa honrável e árdua tarefa. Falaríamos que muitos desmerecem esse salvamento, que continuam levando uma vida sem propósito, e tudo mais. Podíamos até chegar a conclusão que o mundo seria um lugar melhor se todos tentassem de alguma forma salvar alguém, seja da morte ou de uma dor qualquer. E sobre cada ponto de vista diferente, já vimos alguma manifestação artística, um discurso ou participamos de uma conversa de bar.
Hoje assisti um filme que realmente mexeu comigo. Eu, que estou concluindo um trabalho sobre a influência norte-americana, apreciei sim, e muito, um filme hollywoodiano chamado The Guardian. Kevin Costner está na pele de um mergulhador da Guarda Costeira que bateu todos os records de salvamento e quando se vê numa situação bastante desesperadora topa o desafio que lhe foi quase que empurrado: treinar um grupo de jovens mergulhadores em potencial. O decorrer da história é meio batido, mas nos fala de um universo pouco conhecido e em todo caso emociona, principalmente botando pontos de interregoção em cabeças pensantes, mesmo que estas estejam um pouco acomodadas.

Se somos uma escultura de moléculas ou um aglomerado de expectativas de um Cara lá de cima não vem ao caso. Qualquer que seja o motivo de estarmos aqui, temos visto que a história de um ser humano é bem mais legal quando ela serviu não só para ele, mas pra muita gente. As vezes, não precisamos virar lenda, nem mesmo abrir mão da nossa vida, podemos fazer muito para alguém que pra nós é pouco. Não é preciso que todo mundo saiba, que seja uma coisa grandiosa. Só tenho medo de no fim não ter abandonado meu mundinho egoístamente solidário e passar sem ter no meu currículo um record, um destaque na vida de alguém!

Vamos lá então, um mundo rosa para você!

Uma das coisas que me irrita é machismo. Comentariozinho aqui, outro acolá, e logo estamos morando numa casa de pedra, trajando tanguinha e nos comunicando por meio de urros. Assim como chamar loira de burra, fazer brincadeiras com o esteriótipo de mulher não é o fim do mundo. Esses dias fui ver os Melhores do Mundo e ri gostoso com a piadinha batida: "Pleonasmo é subir pra cima, entrar pra dentro, mulher burra". Não sei se fiz certo, mas a gente não fica pensando "Oh, será que é correto rir disso?", até porque rir não faz mal á ninguém. Ouvi algumas mulheres xingando e pensei se não era a carapuça que tinha servido. Tenho medo de preconceito só porque algumas pessoas acabam acreditando nele e achando mesmo que são pouca coisa.
Todo mundo acha que machismo é feio, inclusive eu, e ainda fui me meter num ramo em que as mulheres são contratadas pra juntar pecinhas, vê se pode. Mas isso não me assusta, eu posso ser quietinha e ainda não ter aprendido a reclamar de um jeito convincente quando alguém pisa na bola comigo, só que consigo ser suficientemente boa no que eu faço pra conseguir meu lugar e o respeito das pessoas.Agora, se machismo agride tanto as mulheres, como pode existir o feminismo? É ultrajante como as pessoas precisam estar sempre acima de outras. Nesse caso, meu amigo, te indico um reggaezinho, e em poucos minutos ouvimos a palavra-chave: equilíbrio. Há quem se engane e saia na rua rogando por igualdade. Como diria Cazuza, vamos ser "iguais em desgraça"! Os sexos são diferentes, algumas coisas são mesmo muito presentes em determinados gêneros. Numa conversa com um psicólogo ouvi várias vezes "ah, meninos...", "meninas raramente...", de início aquilo me encomodou mas depois eu fui vendo que muitas coisas se encaixavam e outras fugiam completamente dos parâmetros. Descobri até que sou uma namorada supersortuda, o que não vem ao caso agora.

O fato é que não devemos desejar a igualdade. É chato ser igual, isso todo mundo sabe. Um colega do curso me disse esses dias que ele acha que as mulheres estão perdendo o lado meigo, delicado, e eu reagi. Disse que, na minha opinião não era bem assim. As pessoas hoje têm mais espaço para serem o que são, independentemente do sexo. Não é feio mulher dizer "não", é até charmoso! E mico hoje em dia não é homem chorar e sim outro regular. Os sentimentos estão cada vez mais relacionados a pessoa, a personalidade, e não aos esteriótipos de gêneros.

Fico feliz com isso, mas queria que todas as feministas e mulheres moderninhas parassem e pensassem. Seus ideais são justíssimos! Por isso mesmo, não fujam deles. Pra ser mulher você não precisa ser grossa, vulgar ou escandalosa, tal qual um "macho". Falar de sexo o tempo todo, soltar um pacote de palavrões só para impressionar e todas essas baboseiras não é lutar por espaço e sim fazer com que as mulheres deixem de ter tudo de bom que sempre tiveram.

Piquenique-pizzada

Nos últimos dias andava fissurada pela idéia de um piquenique, que a princípio aconteceria no Zoobotânico, iríamos eu e meu namorado de bicicleta, passearíamos por lá e depois teríamos uma daquelas cenas de cinema, protagonizada recentemente pelo popular Alemão em horário nobre (espero que isso não tenha influênciado meu subconsciente). O meu, é lógico, seria muito mais agradável, uma coisa íntima, verdadeira, genuína, sem câmeras e uma surpresa para ele pela comemoração de oito meses de namoro. Só que acabou não rolando. Trocamos o programa natureba, que eu particularmente adoro, por um churrasco dos amigos do meu pai, não que este último tenha sido assim, tão ruim.
Acabou que o tão esperado piquenique foi uma surpresa pra mim! Numa situação que me fez muito bem, dando um empurrãozinho para o "primeiro passo" que comentei ontem, aconteceu um piquenique-pizzada muito bom, lá no campo do colégio. Procurava eu os colegas de sala com quem combinei almoçar, pensando "Puta merda, vou ficar sem dinheiro pra comer", porque já tinha pago e estava vendo uma desorganização geral em torno da compra das pizzas. Esperava encontrar as pessoas, já com a comida e ir comer lá na cantina, como combinamos á princípio. Andava pelo colégio quando vi um bando de gente olhando pra mim, deitados sobre toalhas brancas estendidas no campo verdinho, um dos meus lugares preferidos, que me traz uma paz inenarrável. Saí em disparada, me joguei na toalha e sorri tão sincero como á tempo não fazia.
É realmente muito bom quando algo que pode nos deixar tão feliz, e nem estávamos esperando, acontece. Pouco importa que a pizza atrasou quase uma hora, comemos correndo e fomos correndo pra sala, passados 15 minutos do início da primeira aula, quando tínhamos prova. Ou importa! Importa mesmo. Acho que essas situações inesperadas, esses atrasos que atingem ao grupo inteiro, esse "chega ou não chega?" acarreta em uma coisa que eu esperava á muito tempo: união. Suprir minha necessidade do que eles usam muito para catalogar os adolescentes, aceitação no grupo, melhor dizendo, quando você não pensa se alguém está te aceitando ou não, você é simplesmente aquilo, independentementa do que acham.
E obedecendo minha natureza conclusiva e analizadora, além dos momentos ótimos rindo, conversando e escutando uma musiquinha, identifiquei algumas coisas que estavam sendo comentadas a tempo com namorado, um ou dois amigos e até com a Giovanna, a paulista dona de um blog superlegal com quem troquei recadinhos ontem. Todos eles que souberam da minha fossa dos últimos dias.
- Colegas podem não ser os amigos que sabem teu número de cor, freqüentam tua casa, conhecem tuas manias, te abraçam e dizem "Eu te amo", mas são potencias amigos como estes, e te fazem sentir-se bem á beça!
- Nem tudo precisa ser planejado e analizado, muitas vezes a grande vitória é sentir o momento;
- Pessoas distantes, que julgamos fúteis e falsas a partir das aparências, tem uma grande chance de serem mesmo, mas tem a mesmíssima chance de te surpreenderem, ou, no mínimo, serem uma boa companhia;
Recomendo, piquenique á todos!

Upgrade urgentíssimo!

Eu preciso berrar bem alto e preciso que alguém escute! Um novo amigo que haja com reciprocidade. A falta de pessoas, de companheiros, faz sentir-me chata, desinteressante. Me coloca na minha própria companhia e eu não me basto.
Tenho agora um novo objetivo: sentar no meu canto, lavar a alma e bola pra frente! Parafrasenado a sabedoria popular "o primeiro passo é o mais difícil", preciso dá-lo, urgentemente! Vou me mapear, só assim acho o caminho que me desvirtua, sempre me impedindo de me coçar, seguir o certo diante de meus olhos e banir as lamúrias. Destruo ele e paro com essa enrrolação de uma vez.
Ao invés dos alquimistas, a procura do Elixir da Longa Vida, sinto-me obrigada a achar de pressa a fórmula para manter meu bom humor, meu coração limpo e a que pra mim é a melhor e maior habilidade: saber ver no simples a maior alegria em viver!

Lista de objetivos/desejos para abril

1- Arranjar um livro para ler e lê-lo
2- Fazer novos amigos
3- Diminuir minha TPM para só antes da menstruação
4- Não me sentir tão só e triste
5- Parar de comer chocolate
6- Parar de comer compulsivamente
7- Ser uma namorada calma e compreensiva
8- Pensar mais antes de falar
9- Ter objetivos melhores antes de começar uma lista

Muito blá blá blá...

Num trabalho de geografia que estou fazendo, sobre Estados Nacionais, o qual pretendo publicar já em vídeo aqui em maio ou junho, ponho todas minhas expectativas, idéias e sonhos para um mundo melhor, onde as pessoas vivam com igualdade, justiça e dignidade. Para abrigar meu "país perfeito" escolhi junto com meu grupo a região de fronteira da Etiópia, Djibuti e Somália, e obtive do meu professor uma informação que me causou espanto: nesses anos em que ele passou o trabalho, nenhuma equipe tinha escolhido uma região pobre para seu país. Quer dizer, apesar de todos os discursos de amor ao próximo, de consciência social, e toda essa "baboseira" como diria meu pai, falta ação.
Quanto mais se fala de responsabilidade, mais irresponsáveis somos. Independentemente de estarmos falando de ecologia, sociologia ou ética. Quando perguntamos como alguém pôs uma placa de "Proibido pisar na grama" no meio de um terreno gramado extenso, poderíamos responder: do mesmo jeito que educamos nossas crianças para falarem a verdade e mentimos pra elas, que queremos justiça e preocupação do governo para com a gente, mas esquecemos de cobrá-las para aqueles que precisam de muito mais que um aumento para desafogar o orçamento, aqueles que nem sabem o que é ter um orçamento.

Saudades

Lamento muito que tenhamos essa palavra no nosso vocabulário. Se ela não existisse, pensaria nela com menor freqüencia. Quem sabe os poetas e músicos não a citariam, nem as pessoas a pronunciariam em vão. Talvez o dia que à riscássemos do dicionário, riscaríamos também de nossos corações.
Apesar dos anos que passam nos ensinando que todas as coisas acabam, que tudo que é bom (e ruim também, por que não?) dura pouco, ainda sinto saudades. E saudade machuca. Ainda mais quando é acompanhada por culpa, por necessidade, por sentimentos mal resolvidos. Muito mais quando sabemos que tudo que fizermos não será o suficiente para termos uma sensação, um momento, uma pessoa de volta.
Pedaços da nossa história, quando acontecem, parecem bastar para serem especiais, para sempre nos causar alegria. Mas daí vem a saudade e estraga tudo. Momentos maravilhosos pedem por sentimentos saudosistas, o que antes nos faria abrir um sorriso, impulsiona um rio de lágrimas.
Como todas as coisas, ela é necessaria. As vezes nos sentimos até meio culpados se não a sentimos. Quantos amigos foram antes tão presentes, e hoje, que não estão mais perto, demoram meses, até anos para serem lembrados. Pessoas muito queridas que foram levadas para longe pela morte, como conseguimos passar um dia sem lembrar delas?
Diante da impossibilidade de voltarmos no tempo, melhor seria não lamentarmos. Não pedirmos, nem mesmo desejarmos bis. Espero um dia poder dizer que espero o amanhã, não o ontem. Enquanto isso, remexo no meu armarinho de lembranças, o mais confortante e doloroso dos armarinhos.

Primeira Impressão

A crueldade é seu ponto forte
São imprevisíveis, invejosos, mentirosos
Outros desejam até sua morte

Nelas não se pode confiar,
não vê-se maior ambição
pentear, comprar, maquiar
sua fútil distração

Cochicham e são maus,
cochicham e são discretos.
Brigam e estão sendo cruéis,
brigam e estão preocupando-se.

Eis a essência da primeira impressão:
Ao longe são maquiavélicos,
De perto têm seu valor!

Enrredados!

Hoje, na minha mais monótona aula do curso, empreendedorismo, parei para pensar o quão enlouquecedoramente preso a gente está. Falávamos de organizações, o que fazemos á umas três aulas (deve-se á repetição essas aulas serem tão chatas) e pela quinquagésima vez o professor nos dizia que em todos os lugares que vamos e tudo que fazemos está ligado á organizações. Parece que desta vez surtiu efeito: eu estava completamente absorta!
Realmente o professor tinha razão. Nesse momento por exemplo, as nove e dessesete, grande parte dos brasileiros assistem novela, produzida pela organização Rede Globo, transmitida por outra, num aparelho que provavelmente teve cada pecinha produzida por diferente organizações, que chegou a casa da nossa organização família porque fomos a organização loja comprá-la. Mas para quê algo tão sofisticado como uma novela? Podíamos ser mais simples e estarmos jantando ou dormindo. Tendo assim uma organização que produziu alimentos, ou molas. Até para quem não tem televisão em casa, atividades como o sexo por exemplo, acontece na organização motel ou outras mais excusas, mas nem precisa disso. Se for em casa mesmo, depende da organização que fez a camisinha, da organização que motivou o encontro dessas duas pessoas, de organizações, organizações.
E quando falamos de organização lembramos de quê? Pessoas. Apesar de muitas buscarem hoje individualismos, se "despreender do sistema" ou qualquer coisa do gênero, só é possível alguém estar só, não depender de ninguém, não se relacionar com outros, se for para dentro de uma mata fechada (o que é cada vez mais raro ultimamente) e aprender a se virar lá dentro, e olhe lá!
Quase que ironicamente, quanto mais reclamamos de que estamos nos distanciando das pessoas, mais dependemos delas. Num sentido enorme de comunidade, estamos interligados com gente que nem sequer sabemos da existência. Talvez a peça mal colocada na tevê, causadora da má imagem JUSTAMENTE na hora da sua novela, tenha passado despercebida pela montadora que estava na TPM. Aquela porcaria de pecinha!

Vagabundear

Como diria Leila Pinheio hoje é "Dia de vadiar, vagabundear. De tudo adiar, se deliciar". E quando a gente pode vagabundear é incrível como nunca sobra tempo para fazer as coisas que, em dias lotados, se resolvem em dois toques. Tardes e dias de folga para mim não têm rendido se me refiro a coisas práticas, obrigações, nada que uma boa última hora no domingo não resolva. Em compensação, as coisas ganharam espaço para se resolverem, e obedecendo a poeta, me deliciei.
No maior estilo "Ladeira da saudade", passeei de mãos dadas pelas tranqüilas ruazinhas de Corupá, corri na grama, brinquei com a minha irmã, bati fotos, revi a família. Como é fácil esquecer que são nessas pequenas coisas que esconde-se a felicidade e principalmente o equilíbrio tão procurado nesses últimos dias. Posso dizer em alto e bom som: Estou feliz qual tenho o direito e dever ser!


Uma lição para Paula

Paula tinha muitos sonhos. Escrever um livro, ter um labrador e o seu lugar de destaque no trabalho, aprender a ela mesma fazer todos os presentes que quizesse dar para as pessoas queridas, ter uma viagem que marcasse a sua vida, casar com o seu namorado... Mas os seus dois maiores sonhos eram, sem dúvida, morar sozinha e ter a sua própria família, uma família de verdade. O segundo maior que o primeiro.
Todo mundo vê na sua família "de casa" muitos defeitos, e são defeitos que não se pode mudar quando existe uma hierarquia familiar que impede os filhos de ter voz ativa. Na casa de Paula sempre foi assim. Ela era mil e uma utilidades, servia para lavar a louça que ninguém queria lavar, educar a irmã, apesar de seus pais nunca reconhecerem qualquer autoridade nela, agüentar todas as barras, os problemas, as crises de todo mundo. Mas ela de forma alguma podia manifestar opinião sobre as coisas, que na sua opinião eram absurdas. Seus pais sabiam de tudo, e ela, coitada, não sabia de nada. Não sabia de nada, e dependia do humor deles para tudo que quizesse fazer. Era variável. Quando sua mãe estava na fossa, ou ela deixava a filha sair, ou ela não deixava. Quando estava feliz, era a mesma inconstância.
Mas nem tudo era cinza na vida de Paula. A garota era de classe média quase alta, primogênita (grande parte de suas reclamações só existiam porque, quando pequena, ela fora muito mimada, e ouvir um não sempre foi um suplício para ela) e tinha a capacidade de sempre dar um jeitinho de escapar das limitações que na sua opinião, eram limitadas demais. Um desses "jeitinhos" que mais funcionava, era deixar a imaginação correr solta, sonhar e planejar tudo que ela poderia mudar de alguma forma quando as coisas estivessem nas suas mãos. Por isso o sonho de constituir a sua própria família.
Ela morria de medo de repetir os erros que ela via acontecer, por isso veio ouvir algumas vezes que era "implicante" demais, ela culpava o signo - virginiana perfeccionista. E repetiu, muitas vezes. Apesar de nunca poluir as ruas como o pai, de fazer mágica com o dinheiro de suas primeiras mesadas e de ouvir a irmã que ela tinha como um protótipo de filha com a paciência que nunca dantes tiveram com ela, ela repetia muitos erros. Era nervosa, estressada, emotiva, e cada vez que tinha dos seus rompantes chorava e prometia para si mesma que iria mudar isso. Até hoje ela ainda não mudou tudo, por completo. Mas ela ainda é jovem, muito jovem, e coitada, não sabe de nada. Nem imagina que tudo vai passar e ela vai descobrir que os pais, apesar de todos os pesares, lhe davam uma das mais importantes lições: eles, essas pessoas que a magoam tanto, que são tão diferentes do que ela considera ideal, são as únicas pessoas que com toda certeza para o resto da vida ela vai amar.

A última e a primeira gota

Será que só pra mim chorar é fundamental? Sinceramente, não consigo ser feliz sem derramar algumas lágrimas, dar umas soluçadas. Por mais ridículo que isso pareça ser. Problemas acho que temos sempre, por isso preciso sempre chorar. Quando não choro, é insuportável mesmo quando a questão já está resolvida. As vezes mesmo que tenha sido mantida calma e a serenidade, as energias ruins que aquilo deixou, a tensão, a mágoa, a incerteza, tudo acumula de um jeito que só mesmo dando uma lavada na alma. De preferência à baldes bem cheios.

Estou trocando de carreira!

É o que pensei vendo o quão fundamentais são para toda uma ordem nas vias aéreas os controladores de vôo. Eles ganham bem e são superprocurados. Porque não largar o curso de plásticos e me formar uma controladora de vôo? É interessante como uma profissão antes quase desconhecida, é hoje tão comentada. Isso devido ao grande sencioना lismo da imprensa, sem sombra dúvidas.
Chega a chocar que, em horário nobre, o "caos" nos aeroportos seja tratado com maior gravidade que pessoas estarem passando fome, injustiça e encarando preconceitos. Pessoas matando, pessoas morrendo. Umas com uma carência tão grande de sentimentos e condutas boas, outras necessitando tanto encontrar alguém com essas características para aquecer nem que seja de chama de fósforo seu coração.
Mas se falassem de todos esses assuntos os chamando de caos, o que não deixam de ser, também estariam sendo sensacionalistas. Talvez. Começo entender essa idéia de uma imprensa sencionalista à pouco, e não por completo. Hoje minha idéia é ainda um meio termo. Chamar de caos (talvez seja mesmo para as pessoas que o estão vivendo, mas não maior do que o das pessoas que nunca nem chegaram a sonhar em voar) é como todo exagero, ruim. Contudo, num mundo tão cheio de sensações, de notícias extremamente condenáveis, extremamente aplausíveis, o sensacionalismo é só uma forma de contar as coisas. Cabe as pessoas não se deixarem dominar por esses exageros, e captar somente as informações, sem as impressões das pessoas que as passam.
E quanto a greve dos controladores, que têm todo o direito de lutar pelos seus direitos, quem sabe não pudesse ser substituída por outra atitude? Greve em serviços públicos geram problemas a muito mais pessoas do que no seu chefe, quem paga seu salário ou decide seus horários. Gera problemas para pessoas que dependem de serviços pagos quer com pouquíssimo ou muito esforço. Particularmente vou continuar com os plásticos, obrigada! Espero que essa bagunça toda no vôo passe logo, afinal, outro assunto superimportande tem que ser tratado um Jornal Nacional inteiro, senão a gente cansa.

O que tém lá em cima?

Religião vem sido, desde uns dois anos, muito conturbada dentro de mim. Nada aconteceu que tenha me feito deixar de crer em Deus, coisa assim. A doença sofrida e morte do meu avô, ou qualquer fatalidade de que eu tenha ouvido falar de forma alguma afetaria minha fé, acredito. Um Pai não tiraria os males do mundo, isso impediria seus filhos de crescer. Minha mudança de postura em relação á Igreja, ao catolicismo e até mesmo a existência de um Ser superior tem um histórico processual. Culpa dos professores de história, que contaram horrores do catolicismo, carregados de inquisição e missões jesuíticas. Não menos culpados foram os livros que li, em especial Código da Vinci, que me despertou uma revolta bastante grande. Mas não, educação e cultura não geram descrença. As posturas tomadas pela Igreja Católica são indiscutivelmente condenáveis e por isso tínhamos mesmo que esperar.
Qual instituição, formada e mantida por homens, nunca foi abominável? Ainda mais caminhando de século em século pelos pés de seres humanos, munidos de ambição, orgulho, prepotência e ignorância. Toda repulsa que poderia se ter, deve ser bastante analisada. Você odeia sua família por causa de um tio chato? Eu não, mas as reuniões em que ele está são torturosas. Quando as pessoas ganharam liberdade para escolher se iam ou não ao encontro com esse milhares de "tios chatos" que falavam em nome de Deus, muitas optaram por não ir, outras persistiram em manter a tradição.
A tradição é outra que sufoca. Talvez em razão da minha juventude, contestetadora, revolucionária, fazer algo sem um motivo claro é maçante. Sentir as pessoas te olhando enquanto todo mundo reza, comunga, bate palma, senta e levanta, porque você não está a fim de fazer não condiz com minha idéia de um Senhor Supremo que pretende o Bem à cima de tudo. Não é um conjuto de palavras decoradas, um canto, um mero costume que vai mudar o seu caráter bom e sua postura admirável. Muitas pessoas que eu conheço sabem cantar "Yesterday" perfeitamente, mas não sabem que ela é dos Beatles, porque nunca ouviram falar que salgadinhos compunham músicas. É mais ou menos assim que defino muitos dos religiosos fervorosos que conheço. Podem explicar a Bíblia de trás pra frente, até saber o que significa cada coisa, mas não aplicam em nada no seu dia-a-dia, então, do que adianta?
Apesar de todas as firulas, detalhes e cores que podem fazer parte do meu modo de agir, acredito nas coisas práticas. Uma instituição espiritual tem que fazer o bem imediato para a pessoa mais próxima, não pode perder tempo com rituais mecânicos enquanto existe tanta carência de uma conversa franca, profunda, construtora de uma sociedade que ao invés de tantos preconceitos, paradigmas e vícios (pregados muitas vezes por essas instituições) fosse mais amor, mais leveza de espírito.
E quanto á existência de Deus, o que dizer? "A prova viva de que Deus existe somos nós, feitos de pele e osso", "Precisamos de algo no que acreditar", "Como pode alguém acreditar que Deus não existe?", "No que vamos acreditar quando estiver tudo dando errado e precisarmos que algo nos guie?". É evidente a necessidade do homem de saber de onde ele veio, para onde ele vai e quem vai ajudá-lo entre um e outro, isso explicaria toda existência de Deus para o homem. Mas não deixamos de ter a dúvida: Não será muita prepotência achar que ao contrário de Deus ser nosso Criador, nós sermos os criadores dele?
Essa é uma dúvida que ninguém pôde me saciar com argumentos fortes e inquestionáveis, talvez eu morra sem que alguém o tenha feito. Ainda bem que não estou sozinha, apesar de ser muito fácil crer absolutamente num Deus, numa religião, muitos me acompanham nessa profunda indecisão. A única coisa inquestionável é o poder e a busca de milhares de pessoas pelo Bem. Esse sim, com letra maiúscula, todos podem sentir e viver, o Bem inigualável de ver uma grávida, crianças, velhinhas, negros e brancos, todos juntos num ambiente que por meio de caminhos mais tortos ou mais retos estão lá com um só objetivo: o Bem Maior!

Korkolokou perdida no mapa

Korkoulokou não tem nenhuma imagem no Google, e nenhuma citação em português, isso é possível? Acho que não vou ter nem que fazer força para não saber nada. Realmente, não existe informação!

Mulheres juntas só pode dar...

Ontem fui para um sítio em Mafra, num daqueles encontros só para mulheres. E antes que pensem ao contrário, foi comportadíssimo! Tias, mãe, prima, mulher e filhas do meu pai reunidas, só se enquadrou numa típica reunião feminina pelo indispensável: falar dos homens. De mal á bem, todas que usam saias sabem o que estava no meio. Mas como mulheres bem resolvidas, não ficamos só nisso. Falamos de viagem, filhos, receitas e arte!
Minha prima Gláucia me deixou num turbilhão de inspiração. Aprendi como se faz decoupage, vi as bijuterias dela e um bolo decorado. Bateu aquela vontade de aprender mais, de ir numa lojinha de artesanato e comprar um monte de coisa, de imaginar casa, roupa de filho, e futuro todo cheio de inesperados que tanto me fascina e prende meus pensamentos. Gosto muito de artesanato! Parte porque sou viciada em coisas bonitas, românticas, coloridas e diferentes, mas principalmente por achar que quando fazemos alguma coisa que envolva arte nos desprendemos de nós e viemos a ser nossa obra. Esquecemos problemas e viramos o que nossas mãos podem fazer. Elas podem fazer tanto!
As mãos de todas as mulheres que passaram o dia ontem comigo fizeram muito. Ensinaram, cozinharam, escreveram, pintaram, dirigiram, bateram, bordaram, acariciaram. E por mais que tenham feito, não fizeram tudo. Elas sonham em passear por outras texturas, sentir outras palpitações, realizar movimentos diferentes, só não querem congelar.

As peculiaridades de Luiz

A história de nossas vidas tem alguns protagonistas, que são elementos crusciais para o desenrrolar da trama. Nossos pais, um pouco severos, um parente querido (no meu caso meu avô com quem eu passava horas jogando futebol de botão), o grande agente transformador do nosso caminho - o meu se chaama Mônica - e finalmente nossa maior realização: os filhos! Acho que a maioria das pessoas do mundo tem esses quatro componentes na sua história de vida.
Mas é claro que existem outras pessoas que são fudamentais na formação do que somos hoje. O Luizé um desses caras. Ele é o ruivo menos feio que eu já vi, não que eu tenha visto muitos. E aqueles cabelos vermelhos foram muito bagunçados, por incontáveis mulheres. Altas, baixas, estreitas ou largas, coloridas, com bolinhas, listradas ou de um só tom. Esquisito? Não para o Luiz, um artista que valoriza o belo, por mais abstrato que seja.
Desde criança ele era diferente, analisava as coisas pelo ângulo mais inusitado, o que sempre me instigou. Eu precisava estar ao seu lado para desfrutar das suas loucas e maravilhosas conclusões, ele sabia disso e me deixava conviver o máximo de tempo possível com ele.
De forma alguma, achar não poder sair como os amigos uma ótima oportunidade para sair consigo mesmo pelos mais tortuosos caminhos do seu ser era uma tentativa de seguir Pollyana no jogo do contetamento. Ele realmente achava ficar sozinho o máximo! Pintava, dançava, escrevia e mandava os problemas pra bem longe.
Mas assim que criou asas, ele voôu. Tornou-se o cara mais independentemente realizado de que tenha notícia. Ele mora sozinho num apartamento que desde o pássaro da porta até a tranca da gaiola tem a cara e as mãos dele. Ainda não se casou, mas está escolhendo, porque ele sabe que casamento é pra ser à moda antiga, com direito a fotografia que vai ficar na cabeceira da cama até ele morrer.
- Esse é o texto que me inspirou a começar o blog, foi uma proposta de redação de Língua Portuguesa e consiste em Eduardo, de Eduardo e Mônica, contar da história de um amigo que teria escrito a música deles.
- Luiz é o nome do meu avô, que morreu faz menos de 4 meses, de quem eu tenho muitas saudades e uma profunda admiração.

Necessidade de escrever!

Ontem falei de uma vontade de escrever que, devo deixar claro, é enorme. Descobri nesse comecinho de semana minha válvula de escape, a escrita. Minha obra ainda não é de arte, é obra do inconsciente que por um momento de consciência precisa gritar, e mesmo sem nenhum timbre que o sustente, ele discorre e corre solto. Sem contar que escrever proporciona uma faceta esplêndida! A capacidade de escolher ser você, ou ser um personagem.
Podia ser a Bruna que discordou, mas se preferir, Maria o faz. Maria pode falar de tudo que Bruna pensou, sendo Maria. Maria não ofende, não levanta suspeitas, não destrói espectativas. Maria é apenas Maria, e ela está presa nas grades das linhas, pelos cadeados das palavras. E se assim for melhor, Maria deixa de se chamar Maria, que é como se chama mulher comum, para ser uma requintada Renata. Se bem que existem Renatas, eu mesma conheço uma, pouquíssimo requintadas. Mas por meio da escrita, Renatas e Marias são como bem quer quem as escreveu, no caso eu. E eu não quero mais saber dessas mulheres fictícias, nem de mulher alguma.
Quero mesmo é escrever! Algo gostoso de ler, que divirta e prenda. Uma dissertação ferrenha sobre as mais revoltantes situações, uma declaração de amor, um desabafo. Falar sobre o que der na telha, o que o corpo precisar expressar. Quero esperar por textos felizes, românticos, leves. Que eles sejam todo inspiração, nunca indignação.

Korkoulokou?

Nome é uma coisa séria! Sempre fico imaginando como eu vou chamar meu cachorro, meus filhos... Já tenho até algumas idéias! Não que eu ache que nome faz a imagem da pessoa. Mas o de um Blog eu acho sim que tem que ser legal, diferente e criativo. Assim como eu não daria para meu filho um nome comum, queria batizar esse cantinho com algo que despertasse a curiosidade, que não me cansasse e que tivesse um propósito.
Mas como a necessidade de escrever era muito grande, queria pensar logo! Sentei um pouco virada na cadeira e comecei analisar! O céu, as folhas das flores, aí eu pensei nas flores! Ah, tão lindas, tão apaixonantes, pelo menos para mim! Fui procurar nomes diferentes de flores, mas a coisa toda foi ficando meio superficial. Precisava de uma grande idéia!
Vamos evitar a prepotência, grande idéia não pintou. Abri o Google Earth e decidi que a cidade mais próxima a coordenada que eu digitasse daria nome ao Blog. Fiz umas cinco vezes até que decidi por Korkoulokou. Um nome sonoro, divertido e definitivamente original.
Talvez o meu Korkolou ganhe um grande espaço na minha vida e eu vá lá conhecer mais da cidade real, que ainda não quero saber onde fica. Pretendo pegar informações aos poucos, tomara que dê pra agüentar!